Trabalho em um local onde tenho visão geral
Lá no Jardim Margaridas, Comunitário, coisa e tal.
Bairros extremamente populosos da periferia da
cidade,
Você olha por todos os lados e não vê um “pé” de
árvore plantado.
Tempos atrás foi totalmente estruturado: água,
luz, telefone, calçamento e até canalização de córrego foi implantado.
Olhando tudo aquilo, fico meio atordoado,
perguntando-me:_ Como se diverte aquele povoado?!
Eis que descobri uma coisa tragicômica e
interessante; eita povo criativo que até evita um levante.
Imagina você, no calor desse verão, todo mundo na
rua buscando uma frescuridão, mas pra não ficar na “sofrência”, escuta funk
batidão.
Rua cheia de gente de todo ponto do rincão: a pé,
de bicicleta, motocicleta e até carrão.
Tem muleque, muleca, pai, avô, primo, amigos e irmãos, ouvindo som de
letras estranhas, tá aquela multidão feliz, no sábado ou domingão.
A diversão começa com as sirenes dos camburões. Eles
chegam acabando com a festa, a multidão se reduz.
É gente correndo ladeira acima, ladeira abaixo,
moto acima, moto abaixo, é som desligado,
supapo, bala de borracha, correria e esculacho, em nome de uma segurança
que não olha os “de baixo”!
Se esse povo se revolta... sai de baixo!!
A boca de “fumo” corre solta, ninguém vai
incomodar, mas corre a boca pequena que todos, inclusive autoridades, sabem
onde ela está...
Fico aqui a me perguntar: _Como o povão se diverte nesse lugar?!
Próximo fim de semana, tudo se repetirá!!
Autor: Maurício Lourenço

